Tempo, tecnologia e hipercomunicação: dimensões sociotécnicas, subjetivas e políticas da aceleração

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação

Ementa:
A disciplina estrutura-se como um percurso teórico sobre a relação entre tempo, comunicação e tecnologia na contemporaneidade, articulando as dimensões sociotécnicas, subjetivas e políticas da aceleração. São examinados os fundamentos teóricos e críticos dessas dinâmicas a partir de autores que discutem o tempo social, a velocidade, a dromocracia e os efeitos da comunicação digitalizada e plataformizada. São exploradas as noções de aceleração social (Hartmut Rosa), hipercomunicação e exaustão (Byung-Chul Han), sociedade 24/7 (Jonathan Crary) e o impacto da crononormatividade (Elizabeth Freeman) nas experiências do tempo e do corpo. Além disso, aborda-se a influência das tecnologias digitais e das Big Techs na organização temporal da vida e na produção de subjetividades, considerando as dimensões políticas e informacionais (Evgeny Morozov, Judy Wajcman, Paul Virilio, Eugênio Trivinho, Claire Wardle). Por fim, discute-se o papel da comunicação na construção de alternativas éticas e críticas à lógica aceleracionista e informacional, com base em perspectivas de autores contemporâneos da teoria da comunicação (Muniz Sodré, Dominique Wolton, Ciro Marcondes Filho).
Bibliografia:
CRARY, Jonathan. 24/7: capitalismo tardio e os fins do sono. Tradução de Joaquim Toledo Junior. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2015. 141 p.
FREEMAN, Elizabeth. Time Binds: Queer Temporalities, Queer Histories. Durham: Duke University Press, 2010. 256 p.
HAN, Byung-Chul. Sociedade da transparência. Tradução de Enio Paulo Gianchini. Petrópolis: Vozes, 2017. 116 p.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Gianchini. Petrópolis: Vozes, 2015. 78 p.
JOHNSON, Clay. A dieta da informação. São Paulo: Novatec, 2012. 192 p.
MARCONDES FILHO, Ciro. O rosto e a máquina: o fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico. v. 1. São Paulo: Paulus, 2013. 176 p.
MOROZOV, Evgeny. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. Tradução de Claudio Marcondes. São Paulo: Ubu, 2021. 189 p.
ROSA, Hartmut. Aceleração: a transformação das estruturas temporais na Modernidade. Tradução de Rafael Silveira. São Paulo: Editora Unesp, 2019. 744 p.
SODRÉ, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2014. 323 p.
TRIVINHO, Eugênio. A dromocracia cibercultural: lógica da vida humana na civilização mediática avançada. São Paulo: Paulus, 2007. 455 p.
VIRILIO, Paul. Velocidade e política. Tradução de Celso Mauro Paciornik. São Paulo: Estação Liberdade, 1996. 137 p.
WAJCMAN, Judy. Pressed for Time: The Acceleration of Life in Digital Capitalism. Chicago: The University of Chicago Press, 2015.
WARDLE, C. Guia essencial da First Draft para entender a desordem informacional. 2º ed. Londres: First Draft, 2020. Disponível em: https://firstdraftnews.org/wp-content/uploads/2020/07/Information_Disorder_Digital_AW_PTBR.pdf?x76851. Acesso em: 16 mar 2024.
WOLTON, Dominique. Informar não é comunicar. Tradução de Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Sulina, 2011. 96 p.