Dissertações Defendidas - 2026

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Engenharia de Produção

Título: Análise dos indicadores de afastamentos por distúrbios musculoesqueléticos na cadeia produtiva de proteína animal: diferenças segundo gênero e ocupação

Autor(a): Lilian Dias Pereira
Orientador(a): Profa. Dra. Irenilza de Alencar Nääs
Data: 02/06/2026

Resumo: Esta dissertação analisa a ocorrência de Distúrbios Musculoesqueléticos Relacionados ao Trabalho (DMRTs) na cadeia produtiva de proteína animal no Brasil, com foco nos afastamentos registrados entre 2006 e 2024. O estudo foi motivado pela alta prevalência dessas doenças no setor e pela necessidade de analisar a influência de fatores demográficos e ocupacionais nos padrões de adoecimento. A pesquisa adota uma abordagem quantitativa, descritiva e longitudinal. A análise baseou-se em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), abrangendo o período de 18 anos. Os dados foram estratificados por diagnóstico (CID-10), função ocupacional, gênero e faixa etária. Os achados confirmam a alta prevalência de DMRTs, associada a fatores ergonômicos (movimentos repetitivos e ambientes frios). O diagnóstico M75 (Lesões do ombro) concentrou-se em funções críticas de corte e de desossa, como magarefe, abatedor e açougueiro. Observou-se uma segregação significativa de riscos ocupacionais e uma inversão nos padrões epidemiológicos a partir de 2022, com as notificações masculinas superando as femininas. Este fenômeno é atribuído ao aprimoramento dos sistemas de vigilância e à maior utilização do código Z57 (Exposição ocupacional a fatores de risco), o que evidencia uma mudança na cultura de notificação e na visibilidade do risco ocupacional. A persistência dos agravos e a desigualdade na exposição exigem que as políticas de saúde do trabalhador sejam sensíveis a gênero e idade, superando o modelo de abordagem única. A prevenção eficaz depende da adoção de estratégias diferenciadas, da gestão psicossocial e do investimento em tecnologia. Recomenda-se a quantificação econômica dos afastamentos, o cálculo do Retorno sobre o Investimento (ROI) da mecanização, bem como análises interseccionais futuras para uma gestão de riscos mais justa.

Palavras-chave: Absenteísmo; Ergonomia; Segregação de Riscos, Saúde do Trabalhador.
Área de Concentração: Gestão de Sistemas de Operação.
Linha de Pesquisa: Redes de Empresas e Planejamento da Produção.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Estudo das Redes Produtivas do Agronegócio.

Título: Intraempreendedorismo como competência funcional na engenharia de produção: uma análise global no contexto da Indústria 4.0 e 5.0

Autor(a): Márcia Macário dos Santos
Orientador(a): Prof. Dr. Giancarlo Medeiros Pereira
Data: 23/06/2026

Resumo: Este estudo analisa a reconfiguração das competências exigidas pelo mercado de trabalho para engenheiros de produção no contexto da Indústria 4.0 e sua transição para a Indústria 5.0. Adota-se nele uma abordagem exploratória de natureza mista, baseada na extração de dados (web scraping) e análise documental de 528 anúncios de emprego publicados entre 2022 e 2025 no Brasil, Europa e América do Norte. Os resultados da análise de clusters e de testes estatísticos não evidenciam uma estratificação geopolítica das competências, refutando empiricamente a hipótese da “lacuna de agência”. Ao contrário, demonstram que o mercado brasileiro prioriza perfis disruptivos, com elevada liderança intraempreendedora e fluência digital, no mesmo nível de exigência das economias maduras. A pesquisa demonstra que o intraempreendedorismo evoluiu de uma habilidade comportamental (soft skill) periférica para um verdadeiro software humano, bem como para uma competência funcional obrigatória no cenário global, o que marca a consolidação do profissional de perfil T-shaped. Conclui-se que a convergência tecnológica resultou em uma profunda homogeneidade profissional, que indica a urgência de reformas curriculares no Brasil, uma vez que o mercado local exige dos engenheiros padrões globais de autonomia estratégica e integração técnica.

Palavras-chave: Indústria 4.0; Intraempreendedorismo; Engenharia de Produção; Competências; Mercado de Trabalho.
Área de Concentração: Gestão de Sistemas de Operação.
Linha de Pesquisa: Redes de Empresas e Planejamento da Produção.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Estudo das Redes Produtivas do Agronegócio.

Título: Estratégias de sustentabilidade na logística de última milha na região metropolitana de São Paulo: Uma abordagem baseada em simulação de cenários.

Autor(a): Fabrício Henrique do Nascimento da Silva
Orientador(a): Feni Dalano Roosevelt Agostinho
Data: 30/06/2026

Resumo: A Logística de Última Milha (LUM) representa o segmento mais complexo, custoso e ambientalmente sensível da cadeia de suprimentos, especialmente em grandes centros urbanos. Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), o crescimento do comércio eletrônico intensifica desafios relacionados a congestionamento, emissões de gases de efeito estufa, custos operacionais e riscos de segurança. Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo avaliar a sustentabilidade de diferentes cenários logísticos de última milha aplicados à RMSP, considerando simultaneamente os capitais econômico, ambiental e social. Metodologicamente, iniciando-se por uma revisão sistemática da literatura para identificação dos principais desafios da LUM. Em seguida, são definidos indicadores-chave de desempenho (KPIs) para o cenário baseline e para cenários alternativos. Os pesos dos capitais são determinados com base na percepção de especialistas do setor logístico, utilizando-se da técnica Analytic Hierarchy Process (AHP). Posteriormente, realiza-se a simulação dos cenários e a análise comparativa dos indicadores de sustentabilidade, utilizando a análise de Monte Carlo. Os resultados parciais indicam a predominância do capital econômico (0,614) na estrutura decisória, seguido pelos capitais social (0,268) e ambiental (0,117), evidenciando trade-offs entre eficiência operacional e sustentabilidade. Dos quatro cenários identificados e avaliados comparativamente, o Cenário 3(Eletrificação Parcial da Frota de Última Milha) é o mais sustentável, atingindo um Indicador Relativo de Sustentabilidade de (0,76), seguido pelo Cenário 1 (Expansão Massiva de Pontos de Coleta e Armários Inteligentes), (0,72), que também se mantém em patamar elevado. O Cenário 4(Rotas Otimizadas e Pontos de Entrega Seguros) (0,67) apresenta desempenho superior ao Baseline (0,34), porém inferior aos dois primeiros cenários, destacando-se pela menor variabilidade dos resultados. Em contrapartida, o Cenário 2(Implementação de Centros de Consolidação de Carga), (0,26) concentra o menor valor médio de, sendo a alternativa menos sustentável entre as avaliadas.

Palavras-chave: Logística de última milha; Sustentabilidade; Triple Bottom Line; Simulação de cenários; Região Metropolitana de São Paulo
Área de Concentração: Sustentabilidade em Sistemas de Produção.
Linha de Pesquisa: Avanços em Produção Mais Limpa e Economia Circular.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Avanços em Produção Mais Limpa e Circular.