Teses Defendidas - 2026

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Engenharia de Produção

Título: Estratégia de Manufatura na Indústria 4.0: Proposta e Validação de um Modelo Conceitual para Prioridades Competitivas Operacionais

Autor(a): Andrea Cristina Elias Ribeiro
Orientador(a): Profa. Dra. Ana Lúcia Figueiredo Facin
Data: 10/02/2026

Resumo: O ambiente empresarial vivencia profundas alterações com o avanço das tecnologias da Indústria 4.0 (I4.0), alterações que representam uma ruptura nos modos de produção e nos paradigmas vigentes e exigem a reavaliação da estratégia de manufatura. Apesar do avanço significativo na literatura, persiste uma lacuna teórica na explanação dos mecanismos de integração pelos quais o potencial tecnológico da I4.0 é traduzido em desempenho estratégico e na incorporação formal de novas prioridades competitivas emergentes. Nesse sentido, o propósito principal deste trabalho é propor e validar um modelo conceitual (framework), fundamentado teórica e empiricamente e validado por especialistas, que explicita como a implementação de tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 influencia e configura a reorganização estratégica, com ênfase nas prioridades competitivas da manufatura. O delineamento da pesquisa é exploratório e sequencial, articulado em três artigos. O Artigo 1 apresenta uma revisão sistemática da literatura (RSL), que estabeleceu a fundação teórica do framework e propôs a perspectiva dual das interações (escopo tecnológico e escopo gerencial). O Artigo 2 foi desenvolvido por meio de um estudo de múltiplos casos exploratórios para fundamentação empírica e elucidação dos mecanismos de integração. Já o Artigo 3 empregou o painel de especialistas (Método Delphi) para a validação final e o refinamento do modelo conceitual. Os resultados demonstram que a influência da I4.0 na reorganização estratégica da manufatura é estrategicamente contingente, mediada pelo escopo gerencial. Por sua vez, o escopo gerencial é caracterizado como o mecanismo de integração determinante, pois orquestra e traduz o potencial tecnológico em desempenho estratégico. Para a teoria, o modelo conceitual contribui ao expandir o conteúdo da estratégia de manufatura. Além das prioridades competitivas tradicionais (custo, qualidade, entrega e flexibilidade), o estudo consolidou empiricamente inovatividade, servitização e sustentabilidade como prioridades competitivas de primeira ordem na era digital. Em termos de contribuições para a prática gerencial, a validação do framework por especialistas acadêmicos e profissionais fortalece sua aplicabilidade em cenários reais de manufatura. Serve ainda como referência estratégica para a tomada de decisão e a otimização de investimentos em tecnologias habilitadoras da I4.0, alinhadas aos objetivos competitivos.

Palavras-chave: Estratégia de produção; prioridades competitivas operacionais; Quarta Revolução Industrial.
Área de Concentração: Gestão de Sistemas de Operação.
Linha de Pesquisa: Redes de Empresas e Planejamento da Produção.
Projeto de Pesquisa: Transformação Digital e Gestão da Inovação na Produção de Bens e Serviços.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Indústria 4.0 e Transformação Digital na Produção. Análise em três eixos - a sustentabilidade, o trabalho e a tecnologia.

Título: Sistemas agroflorestais de produção de alimentos para a alimentação escolar: o caso da Aldeia Ribeirão Silveira – SP

Autor(a): Daniel Roberto Jung
Orientador(a): Prof. Dr. Oduvaldo Vendramentto
Data: 02/06/2026

Resumo: Os sistemas agroflorestais em terras indígenas integram práticas agrícolas atuais e saberes ancestrais, servindo como reforço para a segurança alimentar, a biodiversidade e a resiliência ecológica e cultural, além de oferecerem oportunidades para a melhoria da renda das comunidades indígenas, superando desafios territoriais e de recursos. Este trabalho investigou a integração de sistemas agroecológicos em terras indígenas, com foco na comunidade Ribeirão Silveira, no Litoral Norte de São Paulo. O estudo enfatizou as práticas agrícolas adotadas pela comunidade indígena, analisando-as sob a ótica da agroecologia voltada ao cultivo para a alimentação escolar, possibilitando a geração de renda local, fortalecendo a soberania alimentar e valorizando a biodiversidade. A metodologia adotada foi a pesquisa-ação, com uma fase inicial de pesquisa exploratória para compreender melhor as dinâmicas envolvidas. Além disso, a investigação promoveu a definição e a validação de um modelo de Sistema Agroflorestal (SAF), desenvolvido em colaboração com a Coordenadoria Técnica de Assistência Integral (CATI) e validado junto aos indígenas, considerando suas técnicas de produção de alimentos. O estudo destacou a importância da agroecologia e da produção local, abordando os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas, como as dificuldades técnicas, econômicas e políticas. Ademais, discutiu as políticas públicas relacionadas à alimentação escolar no Brasil, que incentivam a aquisição de alimentos de agricultores familiares e orgânicos. A conclusão do trabalho sugere que a adoção de sistemas agroecológicos pode oferecer múltiplos benefícios, como a melhoria da nutrição, a promoção de práticas educativas sobre sustentabilidade, o fortalecimento da coesão comunitária e o fomento à autonomia econômica das comunidades indígenas.

Palavras-chave: Terra Indígena; Agroecologia; Sistemas Agroflorestais; Soberania Alimentar; Alimentação Escolar.
Área de Concentração: Gestão de Sistemas de Operação.
Linha de Pesquisa: Redes de Empresas e Planejamento da Produção.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: GPAE - Grupo de Pesquisa em Organização, Logística, Gestão, Participação e Controle no Programa de Alimentação Escolar.

Título: Imaginários de transição sociotécnica na perspectiva da regulamentação do mercado de carbono no Brasil pela Lei n.º 15.042/2024

Autor(a): Pedro Luiz Cypriano Pierucci
Orientador(a): Prof. Dr. Feni Dalano Roosevelt Agostinho
Data: 24/06/2026

Resumo: O mercado de créditos de carbono foi instituído pelo Protocolo de Kyoto (COP3), como um instrumento econômico destinado ao enfrentamento das mudanças climáticas globais por meio da mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Estruturado em dois mercados, regulado e voluntário, esse mecanismo passou por transformações relevantes no Acordo de Paris (COP21), ampliando a flexibilidade dos mercados e fortalecendo a autonomia dos países nas transações internacionais de créditos. No Brasil, o mercado voluntário opera desde 1998, enquanto o mercado regulado iniciou seu processo de implantação com a promulgação da Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Esta pesquisa tem como objetivo analisar (i) o potencial de aplicação da Lei nº 15.042/2024 e (ii) a capacidade do mercado regulado de contribuir para o cumprimento das metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (CND). Para isso, o estudo adota uma abordagem analítica sistêmica e interdisciplinar, combinando a teoria dos stakeholders e a captura regulatória com métodos de análise das transições sociotécnicas, Pentagrama de Foxon (2011), Perspectiva Multinível (MLP), Imaginários Sociotécnicos e entrevistas remotas de 60 minutos, com 20 especialistas no assunto. A pesquisa qualitativa busca identificar percepções, interesses e visões de futuro dos atores envolvidos no mercado de carbono brasileiro. Os resultados indicam convergência quanto ao potencial do mercado regulado em apoiar o cumprimento das metas climáticas, mas também evidenciam riscos associados à influência de grandes emissores no processo regulatório, com impacto no desenho institucional do SBCE. A efetividade do sistema depende de governança institucional robusta, com regras claras, monitoramento transparente, infraestrutura digital para registro e rastreabilidade, bem como padrões confiáveis de certificação e comercialização de créditos. Por fim, o estudo aponta que um dos principais riscos sistêmicos está relacionado à instabilidade política e às possíveis mudanças de orientação governamental, capazes de comprometer a continuidade e o avanço da agenda climática nacional.

Palavras-chave: Crédito de Carbono; Mercado Regulado; Mercado Voluntário; Teoria dos Stakeholders; Captura Regulatória; Sistema das Transições Sociotécnicas.
Área de Concentração: Sustentabilidade em Sistemas de Produção.
Linha de Pesquisa: Avanços em Produção Mais Limpa e Economia Circular.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Produção e Meio Ambiente.