Título: A espiritualidade como potencial recurso de manejo para o vazio existencial
Autor(a): Marina Helena Vieira
Orientador(a): Profa. Dra. Simone Saltareli
Data: 23/06/2026
Resumo: A espiritualidade/religiosidade tem se destacado como um relevante recurso de manejo diante de situações de sofrimento humano, entre as quais se insere o vazio existencial descrito por Viktor Frankl. Caracterizado pela perda de sentido, desorientação e sofrimento psíquico, esse fenômeno configura-se como uma das expressões mais significativas do sofrimento contemporâneo, impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar do indivíduo, sendo, portanto, reconhecido também como um fator relacionado à saúde. A crescente valorização da dimensão espiritual na saúde mental reforça a relevância de estudos que promovam o diálogo entre psicologia e teologia. Nesse sentido, a tradição cristã, especialmente na reflexão de Agostinho, apresenta a espiritualidade — compreendida como interioridade e abertura à transcendência — como caminho privilegiado para a elaboração do sofrimento e para o encontro com o sentido último da existência. O objetivo deste trabalho é promover um diálogo integrativo entre a ciência psicológica de Frankl, no que se refere à reflexão sobre o vazio existencial e seus efeitos, e a ciência teológica de Agostinho, que compreende a espiritualidade como resposta ao vazio ontológico do ser humano. Busca-se, assim, relacionar conceitos correspondentes nesses autores a partir da percepção de sacerdotes católicos — preparados, entre outras funções, para lidar com o sofrimento humano — e analisar a aplicação da espiritualidade/religiosidade como recurso para a elaboração e o enfrentamento do sofrimento existencial. Os resultados foram organizados em cinco categorias: (1) experiência pessoal de vazio existencial; (2) autoconhecimento e interioridade (com as subcategorias: aspectos formativos, exame de consciência e escrita); (3) experiência de sofrimento; (4) fé e espiritualidade (com a subcategoria noção de eternidade/pós-morte); e (5) experiência religiosa. Tais resultados evidenciaram que a espiritualidade constitui um recurso relevante na elaboração do sofrimento, especialmente por meio de práticas como oração, exame de consciência e escrita espiritual. A interioridade foi compreendida como espaço de autoconhecimento e integração do sofrimento, enquanto a abertura à transcendência foi identificada como uma necessidade humana fundamental. Observou-se, ainda, convergência entre a perspectiva frankliana, centrada na liberdade e responsabilidade existencial, e a agostiniana, da interioridade como lugar de encontro com a verdade e com Deus. Esses achados indicam que a espiritualidade pode contribuir significativamente para a promoção da saúde integral, bem como para o desenvolvimento de intervenções clínicas e pastorais voltadas ao sofrimento existencial contemporâneo. Como desdobramento, esta pesquisa propõe a elaboração de uma cartilha orientativa para o manejo do vazio existencial por meio da espiritualidade/religiosidade, concebida como instrumento interdisciplinar de apoio tanto para psicólogos quanto para sacerdotes e líderes religiosos que atuam no cuidado do sofrimento humano.
Palavras-chave: Espiritualidade; Logoterapia; Saúde Mental.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Projeto de Pesquisa: Espiritualidade/Religiosidade, dor e saúde mental nos contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.